sexta-feira, 30 de maio de 2008

A caixa quadrado azul cai sobre o tapete. O cowboy aparece pela segunda vez, conforme prometido, e diz que é hora de acordar. É hora de acordar.

Eu gosto de filmes que falam de cinema. Gosto de coisas que falam de si mesmas, mas isso não inclui o Woody Allen. Gosto mesmo é de ver o narcisismo do ser humano fluindo. O espelho, dentro do espelho dentro do espelho. Narcisismo por narcisismo é melhor que egoísmo. Narcisismo fica consigo mesmo. Sigo, mesmo.
Hoje de manhã me deu vontade de cantar. Não, nenhum motivo especial. Apenas percebi que fazia muito tempo que eu não cantava. E o que cantar? Los Hermanos, claro. Fazia tanto tempo que eu não cantava Los Hermanos. Entrando na onda, fazia muito tempo que eu não escutava Los Hermanos. Talvez a vida fosse melhor quando era Hermaníaca. Parecia de mentira. Não tinha propósito a longo prazo só listras, sorrisos e samba torto e desengonçado no pé. Feito, assim, uma casa pre-fabricada.
Me parece que as pessoas não sabem é se fazer entendidas. Enquanto eu não aprendo, melhor é ficar só. E desde que estou só ando me rindo da vida. Quanto mais rio, mais céptica fico. Não sei se é bom ou é ruim. Nem quero saber.
Eu me sinto bem mais feliz depois que acordei e decidi não parar pra pensar. Esqueça essa coisa de futuro. O que existe é o que você pretende ser, não o seu futuro.
A vida, a vida imita a vida. Pecado é negar-se a admira-la. Não falo em aproveita-la. Curtindo a vida adoidado para o lixo. Falo apenas em vê-la. Encará-la. Rir-se dela. E então, simplesmente não deixá-la te pegar. Aos amores e amados o perdão. Preciso vivê-la sozinha pra variar. A vida. Correr dela, dribrá-la, desiludi-la, afugenta-la, alicia-la e depois rir junto com ela até dormir.
E quando eu aprender a falar, eu falo.

Ó frase Hermaníaca de cada dia...

E o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer.

Ai, O Vento, E como será?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

I think today is the most sad day of the word.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O que é você?
Vontade reunida em pessoa. Desejos saudáveis. Planos bem estruturados. Vontade de ganhar o mundo. Tudo isso a lutar contra a ordem natural das coisas; onde a ordem natural das coisas é só aquele velho tabu a que todos estão acostumados. Afinal, considerando a pátria que lhe foi designada ao nascer e o tipo de cultura que a ela está associado, a vida de ninguém dá certo aos dezenove anos de idade a menos que seja jogador de futebol ou atriz de novela. Por que a sua daria?
Tudo o que se procura é um ponto de partida. Não um sinal divino, nada dessas bobagens. Apenas um marco zero. Aquele vibrar dos axônios onde você diz: “agora vai”. Se me conhece minimamente irá achar todas essas palavras injustas. Como diria minha mãe “O universo conspira a seu favor e joga tudo na sua cara”. Essa é sua nova frase predileta, já que não adianta mesmo tentar convencer uma filha cabeça dura, que não crê em Deus, de que tudo aquilo é um milagre. Sejamos realistas, não é.
Adianta ter a faca e o queijo na mão e hesitar em corta-lo por pura descrença na vida? Parece justo, para alguém que passou a vida inteira ouvindo a frase “você só será alguém na vida se estudar”, ter o seu momento de indagação. Mesmo quando a vida inteira seja ilustrada por um mísero número primo menor que vinte. “Será?”
É essa a hora de parar de tentar organizar os armários de forma eficiente? Não existe organização eficiente nem praquilo, nem pra coisa nenhuma. Existe a eficiência. As pessoas que sabem que ela existe, e as que não sabem.
É esse o ponto de partida? Aceitar que não riram de você durante a infância atoa? Por que sua testa era maior que o normal; por que você gostava de estudar e mesmo assim sua letra era feia; por que você preferia ficar na frente do computador a se arrumar e correr atrás dos garotos mais velhos; por que seu sobrenome era esquisito?! Afinal, onde estão todas aquelas pessoas?


é.

Talvez tenha chegado a hora de embargar o estilo literário em vigência. Aquele, das palavras soltas. Palavras certas, muitas vezes, porém soltas. E começar a construir um próprio.
Talvez a originalidade seja mesmo algo que se desenvolve.