sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Paranóia de Físico

"Julia, essa boate tem lasers verdes."
"Sim, são bonitinhos."
"Não, ele pode nos deixar cegos!"
"É um laser de boate, a potência dele deve ser baixíssima..."
"Mas lasers verdes têm freqüência muito alta, assim, mesmo pra uma potência baixa ele é mais intenso que os de cores normais."
"Não é como se fosse um laser de argônio do laboratório... não deve ser perigoso."
"Desculpa, eu não confio na capacidade dos donos daqui de avaliar se um laser é perigoso ou não."
"Não é sobre os donos, é sobre o fabricante. O cara não venderia um laser que pode deixar alguém cego! Sério, alguma vez já ouviu contar sobre alguém que ficou cego com um laser de boate?"
"Sim, com um laser verde."
"Bah, como assim? Aposto que a fonte dessa notícia era escusa"
"Não, eu li sobre isso no site da bbc. Aconteceu na Russia."
"E você vai deixar de dançar porque tá com medo de ficar cego com o laser?"
"Não, mas eu só danço se for de costas pra ele."




Juro que o fato de eu ter passado a maior parte do resto da noite dançando de olhos fechados não teve a ver com esse diálogo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

O grande problema de se tornar uma estudando de física antes de se ter a maturidade do 'um quinto de século' é que noções de tempo e espaço se tornam relativas e distorcidas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

As cigarras não parecem dispostas a se cansarem nesta primavera. Nem assim vejo formigas trabalhando. Minha planta carnívora passa fome. Meu tímpano entra em pânico. Talvez o mundo acabe amanhã. A lua é cheia. Uma cigarra recém saída de seu repouso de dezenove anos atravessa a rua. Se na imensidão do universo vazio viajasse um som, seria este. Assobio de único tom. Sinto falta de algum vício. A melancolia me enjoa. Sinto ânsia de vômito diversas vezes ao dia e nem assim ela vai embora.
Caminha pela avenida central. Referencial é o maior problema da humanidade. Desta forma, a avenida pode possuir palmeiras, paralelepípedos e menos de meio quilômetro de extensão e mesmo assim é considerada principal. Caminha pela avenida central sob o som incessável das cigarras. Música capaz de ampliar qualquer tpm. Alcança a porta principal. Vira a esquina. Olha o ponto onde num dia que não é hoje e nem foi ontem dezenas de pessoa a olharam ou olharão. Segue seu caminho. O som das cigarras cessa. Não há mais árvores, não há mais cigarras. Ao invés disso o barulho infernal de uma das principais avenidas da cidade às dez horas da manhã. No boteco da esquina meia dúzia de pessoas já bebem. Motivo para comemorar? Mágoas a lamentar? Sinto falta de algum vício.
Corre. Ri. Faz piadas. Dorme. Acorda. Come. Chora. Espera demais das pessoas. Menospreza. Tenta dançar. Tenta importar. Tenta buscar. Mas não encontra nada que apeteça. Nem mesmo um café ou um rock legal.
Inércia.