quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Ataque do Presente Contra o Restante do Tempo


Time is what you can measure with a clock. A child, a city, a love, death... these are clocks. One cannot measure that which we consider past, present, future. People, being at fate's mercy, interpret the period of time in which they decide as 'the present'. They want this period to be long. This is the source of illusion. "The patent text and the sketches prove that the brothers Lumière have solved this problem. Figure 1 is a front view, figure 2 is a cross-section of the plane perpendicular to the plane of 1. The mechanism enclosed in the case is driven by a single shaft. On the shaft is an eccentric disc which moves the vertical slide piece to and fro
that slides in the guides. A horizontal blade adjoins the slide, which forms a hinge at one end and at the other end carries two pins which penetrate the partition in two places. On top of the device, a box contains the perforated strip which runs down behind the partition. The regular perforation of the strip's edges can be crossed by the pins. The strip is drawn down by the pins which lift in a rising movement to keep it in position..."
Everything is ready. The modern magic of the darkened halls begins.

(Alexander Kluge - O Ataque do Presente Contra o Restante do Tempo)

sábado, 2 de agosto de 2008

E vou escrever esta história pra provar que sou sublime.

Como diria Dr. Manhattan, o dia amanhece iluminado pela luz que chega a nós com oito minutos de idade enquanto a luz de duas horas atrás alcança Plutão.
A casualidade dos números aleatórios me fez nascida deste e não do outro lado do mundo. Assim, a luz chega à mim antes ou depois de qualquer outra pessoa.
Os vícios culturais que me fizeram herdar o nome de minha bisavó são os mesmos que me lançam olhares assustados e me pre-julgam dotada de qualquer tipo inepto de inteligência pelo simples fato de ter escolhido uma profissão que por tradição dá o título de doutor em dez anos e mesmo assim não é reconhecida no país.
A verdade absoluta por trás das coisas que repousam e dormem é o que sustenta a idéia da “bela adormecida”.
Dormir, sonhar quem sabe. Viver só depois. Mesmo porque existe sempre uma vida inteira a ser vivida e nada de mais interessante a fazer.
Tudo é belo enquanto inalcançável. Eis a única coisa fantástica sob o impossível. Nada menos, nada mais. À ele o drama.
À alguns a aptidão ao convívio social. Aos demais o tempo necessário para descobrir a devida inaptidão.
Pessoas são só rituais.
Como ir ao cinema sozinho pela primeira vez na vida. Ou como olhar a si mesmo de fora, de forma nua e crua e descobrir que há mais por fora do que você via de dentro. Ou as duas coisas de uma só vez.
E tudo isso é estrangeiro, como tudo.
Como um recém-nascido abrindo os olhos para o mundo. Como alguém a encarar aqueles olhos e ponderar se já existe uma consciência por trás deles. Se não, quando existirá?
Última madrugada de férias. 54 dias até a prova. Fazê-la ou não fazê-la, eis a questão.
Último respiro antes de um mergulho.
É boa a hora. Boa para parar de querer mudar as pessoas. Boa à prática da tolerância.
Início de semestre. Hora de fazer apostas, jogar os dados e arrumar o armário.
Já que escrevo, o jeito é escrever.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Para aquela que veio antes de todas as Marias.

Querida Grande Mãe Vaca,
Faz tempo que não lhe escrevo.
Na verdade, desde que nos encontramos no grande caldo primordial, onde tudo que era vida residia.
Falava-me da velha deusa Nut, sempre a segurar o céu inteiro em suas costas.
Olho pro céu e não a vejo mais. Provavelmente tornou-se alérgica por culpa da poluição em excesso; Aposentou-se do serviço pesado e foi viver o resto da vida numa praia deserta. Talvez esteja agora em Jericoacoara comendo caranguejos e assistindo o pôr do sol no meio da pedra furada.
Olho para baixo e não existe mais chão.
Olho pro palco e tudo que vejo são franceses pelados.
Às vezes até tento olhar para mim mesma. Sempre encontro aqueles olhos Infocati.

Então havia a lenda da peça de teatro do outro dia.
Diz que quando se vê alguém pela primeira vez e o chão estremece, é que nasceu um peixe vermelho no centro da Terra. E sempre que o chão volta a tremer é o tal do peixe passando por ali. Até que um dia ele vira pedra.
Antes virar pedra que ser trocada por um grande pai virgem que se masturba. Siryu não pensava assim. Preferiu furar os próprios olhos à virar pedra como todos os outros.
A noite, grande Mãe Vaca, a noite é a sua hegemonia. És virgem do apego humano simplesmente por não o conhecer. Não precisa nem mudar de casa, ou praticar rituais.
Você tem sorte, Grande Mãe Vaca. Ès eterna e implacável e como a noite, que é sua, não precisa fazer escolhas e somente existe.
Eu, por minha vez, escolho a cosmogamia.