quinta-feira, 27 de setembro de 2007


I SEE WHO YOU ARE
(Björk)
I see who you are
behind the skin and the muscles
I see who you are
and when you'll get older later

I will see the same girl
the same soul
lioness, fireheart
passionate lover

and afterwards
later this century
when you and I have
become corpses

let's celebrate now
all this flesh on our bones
let me push you
up against me
tightly
and enjoy every bit of you

let's celebrate now
all this flesh on our bones
let me push you
up against me
tightly

let's celebrate now
all this flesh on our bones
and enjoy every bit of you


I see who you are


Só porque fazia anos que eu não coloria isso com uma imagem.

domingo, 26 de agosto de 2007

A pontuação é por conta do leitor
até que ponto influencia _ até que ponto influencia conscientemente _ até que ponto influência propositalmente _ a partir de onde é inconsciente _ a partir de onde é incoerente _ a partir de onde é inconseqüente _ inconseqüência de quem influência _ inconseqüência de quem se deixa influenciar _ incoerência que em tudo vive _ incoerência de quem é inconseqüente _ inconseqüência do incoerente _ até quando deve lembra-se disso _ até que ponto deve ser esquecido _ pra quem vai o crédito _ pra quem vai o descrédito _ tanto pode o crédito e o descrédito a um só pertencer _ quanto pode não passar tudo de pretensão _ pretender não influenciar _ pretender não deixar-se influenciar _ pretender ser menos incoerente _ inconseqüente _ remédio _ tem remédio _ impossível remediar _ ninguém precisa _ ninguém merece _ ninguém sabe precisar _ eu sei _ você não_ eu não_ você sabe_ não sabe _ eu _ você _nós _não eu _ não você _ ele _ ela _ela _ ela _ talvez _ ela _ aquela _ qual ela _ não ela _ praquela _ aquarela _ pinta tudo _ gira tudo _ arco-íris _ não _ não _ se gira tudo _ branco _ preto _ branco _ no preto _ é cinza _ madeira _ papel _ em branco _ não _ traduz não _ não sabe _ nunca aprende_ nem pergunta _ aonde vai _ aonde leva _ de onde veio _ pra onde foi _ de que cor era _ porque não foi _ porque não veio _ por que acabou _ antes da hora _ tarde de mais _ chegou atrasado _ saiu atrasado _ adiantou-se _ demais _ ontem _ hoje _ mês passado _ dez anos atrás _ já foi _ já passou _ já era _ vem outro _ que outro_ vem outra _ mais uma _ agora outra _ iih já era _choveu _ palavra.

sábado, 18 de agosto de 2007

O fato de se possuir internet no computador de seu quarto, vinte e quatro horas por dia os sete dias da semana pode não implicar que passará a escrever diariamente como fazia há tempos atrás. Por outro lado cessa-se assim o processo escrever / não ter como publicar / salvar o texto em alguma pasta / uma semana depois achá-lo / lê-lo / achar que o texto é péssimo / deletá-lo, já que de uma forma ou de outra, antes que venha o ímpeto "falta de ego do escritor" o texto já estará em seu devido lugar. Já faz tempo desde que a atividade era semanal, quase diária. Então cai sobre nós a dúvida. Seria escrever como andar de bicicleta? Ou ainda: Seria o hábito do surrealismo a perdição de qualquer coerência textual? E enquanto uns perguntam se existe vida após a morte me pergunto se existe atividade literária após o cálculo. Um indício preocupante é a piora na dicção. De repente falar integral e entregar na mesma frase torna-se um tremendo trava língua. Mudar-se para as humanas? de forma alguma. Ainda prefiro o niilismo numérico ao comunismo. Mesmo que o café não cure a ansiedade e que a série do livro que te fez começar a escrever e era provavelmente o último resquício da infância tenha chegado ao fim. Cada um tanto pode sempre ser o último parágrafo a ser escrito; quanto pode, vilmente, ser o primeiro dos que virão. E então o dia após dia. A sucessão de fatos. Os fluidos. Os efeitos fotoelétricos. A cólica. A pilha de livros. A greve da biblioteca. O erro absurdo nos dados experimentais. A paciência e sua existência, divida nos extremos de ser perdida ou mantida. O instante. "...para cada instante de meu passado mil futuros diferentes me parecem concebíveis."¹ O cheiro do café. O ar condicionado. A chave a ser copiada. Afinal, o cálculo servindo à física; gaal servindo à física; nós mesmo servindo à física. O burburinho de gente. O barulho do ônibus. O barulho da cidade. O barulho da máquina. A música do vizinho. Junte todos e enlouqueça. A máquina de vácuo. O caderno de receitas. Os cartões na parede. O chapéu coco se enchendo de poeira. O boneco de neve, ainda na prateleira. O pateta de camisola. As coisas empilhadas. Os assuntos empilhados. As chances empilhadas. As roupas empilhadas. Os biscoitos empilhados. Os papéis empilhados. Nada gangorrando. Então escreve? Empilhando palavras, ou desempilhando tudo. É quase a dualidade onda-partícula. Boa tarde e até amanhã.


¹Beauvoir

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Recebe a prova. Provavelmente a sua pior nota em alguma coisa que envolva números por toda a vida. Não que não estude. Estudou uma semana inteira a fio para a prova em questão. Sem cinema, sem literatura. Cálculo. Cálculo. Cálculo. Guarda a prova na bolsa sentindo um quê de amargura na garganta e toma o caminho de casa. Não há nada mais óbvio a se fazer. Resignação, eis a única possibilidade. Pensa na garrafa de café que tomará e nas centenas de páginas sem graça que terá de ler. Os exemplos numéricos que terá que analisar. Nas letras gregas que usará. Nunca sua vida nunca pareceu tão chata e medíocre como agora. Não ler. Não ir ao cinema. Não filosofar em um buteco. Não escrever - sobretudo não escrever. Afundar-se no cálculo. Estudar outra língua como um instrumento para afundar-se ainda mais no cálculo. E para que? Que poesia há por trás disso tudo? Onde está a física? Onde está a física, aquela cuja única serventia aparente é resgatar a poesia por trás dos aparentemente inúteis números?! A mãe se preocupa. "Que tal um professor particular?" O que soa quase como insulto. Viver dezoito anos livre de professores particulares (se tornar um) para necessitar de um deles? Nunca! Nem se não houvesse chance de recuperação. Assumir as próprias responsabilidades. Esta é a questão. Aceitar-se a si mesma com uma nota abaixo da média (e muito). Talvez dispensar o futuro coordenador da termodinâmica, pensa ao lembrar-se da batalha perdida junto as equações diferenciais e do quão alheios os companheiros de empreitada possam inocentemente se tornar. Tudo ao seu tempo; deveria ter ouvido a mãe. Você terá um estágio quando estiver pronta para isso. Deveria ter ouvido o amigo da família, o filósofo; aquele que sempre pergunta se ela continua escrevendo. "Sim", sempre responde embora nem sempre isso seja verdade. Pensa no quão realizada sente-se em ter voltado a atrapalhar as estatística à cerca de quantos livro um brasileiro lê por ano, quando julgou ter sua vida literária marcada, de forma negativa, para sempre pelo fatídico ano de vestibular. Observa, já em seu quarto, a pilha de livros recém adquiridos no oitavo (ou seria nono?) salão do livro. Como seria feliz se pudesse esquecer o cálculo e se dedicar a eles. Se tivesse coragem. Mas é alguém que leva a vida a sério. Ou tenta levar. Assim como aprendeu desde a infância. Começa a desocupar a escrivaninha a fim se entregar ao cálculo pelo resto do dia. Abre a mochila em busca do estojo e se depara com o livro que passou a última madrugada lendo (inacabado). Pensa no cálculo que deve ser estudado. Pensa nas provas da semana. Nas balas que devem ser desenformadas amanhã ou depois. Pega o livro e volta a lê-lo. O cálculo pode ficar para depois. Deveria voltar a escrever. Sempre foi a sua válvula de escape. Sim, voltará a escrever assim que terminar este livro.
Eis aqui o mundo, você vive nele e é grata por isso. Tenta ser grata.