domingo, 19 de março de 2006

Sobre o novo nome do Blog.

Há com toda espécie de sucesso ou realização certa suscetibilidade a estar exposto. Depois de uma crônica publicada em um jornal e a bajulação da família inteira, chega uma moda de ligarem para parentes e amigos que moram fora do estado Minas Gerais e dizer para que digitassem meu nome completo no Google e procurassem nos resultados o dito texto. O que se encontrava ao fazê-lo? Alguns links com a lista dos aprovados no Cefet em 2004, naturalmente o link para a crônica e, de brinde, o link blog.
Pode-se pensar nisso como uma coisa positiva se escolher um ponto referencial diferente do meu. O motivo pelo qual isso é, para mim, um problema: Como diz sempre minha mãe - ¿Devemos sempre nos preservar.¿
Não que eu não queira que meus textos sejam lidos. Se eu não o quisesse os escreveria em um diário e não aqui. Fato é que escrevo, não só para os amigos, mas para quem me desconhece. Não para quem pensa que me conhece.
Sobre o novo nome do blog, segundo o Aurélio:
Ritmo: [Do gr. rhytmós, 'movimento regrado e medido', pelo lat. rhytmu.]
S. m.
1. Movimento ou ruído que se repete, no tempo, a intervalos regulares, com acentos fortes e fracos.
2. No curso de qualquer processo, variação que ocorre periodicamente de forma regula:.
3. Sucessão de movimentos ou situações que, embora não se processem com regularidade absoluta, constituem um conjunto fluente e homogêneo no tempo.
4. Nas artes, na literatura, no cinema, etc., a disposição ou o desenvolvimento harmonioso, no espaço e/ou no tempo, de elementos expressivos e estéticos, com alternância de valores de diferente intensidade.
5. Arte Poét. Num verso ou num poema, a distribuição de sons de modo que estes se repitam a intervalos regulares, ou a espaços sensíveis quanto à duração e à acentuação.
6. Mús. Agrupamento de valores de tempo combinados de maneira que marquem com regularidade uma sucessão de sons fortes e fracos, de maior ou menor duração, conferindo a cada trecho características especiais.
7. Mús. A marcação de tempo própria de cada forma musical.
8. Mús. O conjunto de instrumentos de percussão e outros similares que marcam o ritmo (6) na música popular; bateria.
9. Bras. O conjunto de ritmistas [ v. ritmista (1 e 2)] .

Dissoluto: [Do lat. dissolutu.]
Adj.
1. Dissolvido, desfeito.
2. Devasso, corruto.



Tirem suas próprias conclusões.

terça-feira, 14 de março de 2006

Não concordo com tudo o que você possa dizer ou argumentar, mas sinto-me disposta a defender o seu direito de pensar da forma que achar cabível.
Sobre concordar? Não. Não. Não mesmo!
Porque três vezes não? Pelo ato da repetição. Pra enfatizar. Ou seja lá como preferir.
Ok. Não vou mais justificar nada. Mesmo porque presumo que minhas justificativas pra você sejam tão falhas quanto as suas pra mim. Não rendamos mais o assunto. Não vale a pena. Mesmo porque desde os doze anos que eu já não brigo com ninguém por um motivo idiota - como essa epopéia no fim das contas me parece - e demoro dois anos pra descobrir que não vale a pena. Nós já sabemos que não vale. Então torne toda essa história relevante como eu tenho feito e não mais vire o rosto ou venha com as sete pedras afiadas e pontudas(como diz o professor de física: "O sonho dessas pontas é atrair os raios nervosos!"). Sobre brincadeiras mal compreendidas: Diga a todos que percam o medo de serem repreendidos e, caso consigam, me ensinem, por favor.
E ainda, sobre o dois em um. A glicose em excesso. E qualquer que seja o próximo item da lista...
"Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria."

Agora me dê licença. Tenho uma carta vermelha a escrever. E você bem sabe como sou: boa em textos, mas péssima em cartas. Afinal de contas ninguém nasce perfeito.





...e provavelmente ela continua sendo mais sentimental que eu.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Tudo está de novo como era antes, tudo está confuso. Mas esta confusão* é só o que eu demais poderia desejar neste instante.

Segundo Heráclito ¿Tudo está em mudança e nada permanece parado.¿

Comecei o último fim de semana decidida a pensar bastante e tentar resolver entre uns e outros. Mas há dias em que de repente algo toma um lugar de destaque e não se consegue pensar em mais nada.
É quando alguém até então desimportante ganha seu papel.
É quando toda a mágica do começo... do novo... do simples ¿estar gostando¿ de alguém começa... E é quando tudo volta ao que era antes. E tudo está confuso.
Mas eu não posso negar que era tudo o que eu podia querer.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Pequeno e frágil e ponto.
Complexo, onde complexidade é um motivo de atração. Difícil. Não difuso. Não prolixo. Não tudo o mais. Parece puro e límpido, mas desesperadamente intocável, improvável, inalcançável e todos os "ins" mais. Observa-se. Pensa-se sobre. Desespera-se. Indaga-se. E nunca saberá o que mais há para se fazer.
Julga-se validável.
Mas sabe-se lá...


O poema não tem a ver com esse post mínimo. É um poema que recitei a alguém hoje. Eu e a minha mania de recitar poemas a pessoas que não os entenderão. Pobres dos poetas incompreendidos.


Quase
[Mário de Sá Carneiro]

Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d'espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

...........................................
...........................................

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...



Repetindo o feito do último post falo um pouco do Poeta, já que suspeito que poucos o conhecerão. Gosto do Pessoa. Fernando Pessoa. Aquele cara que criou três personagens (Heterônimos) com idéias e vidas diferentes e que tinham cada um seu estilo. O meu predileto é o Álvaro Campos (Sim, o pessimista). Pois nas minhas leituras de poemas do Pessoa acabei me deparando com um Modernista Português ¿colega de guerra¿ dele. Eis Mário de Sá Carneiro.



Não muito mais o que escrever por hora. Em breve quem sabe, outra primavera nasça por aí. Por hora resumo-me a isto e nada mais.


Terça Feira, Estado de Minas, Caderno D+, última página: A Crônica do dia 11.01. Ignorem a foto, por favor.