sexta-feira, 8 de julho de 2005

Vento no Litoral
(Legião Urbana)

De tarde quero descansar, chegar até a praia,
Ver se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras.
Sei que faço isso para esquecer,
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora.

Agora está tão longe,
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção.

Aonde está você agora,
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer,
Foi só o tempo que errou.
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo.

Quando vejo o mar,
Existe algo que diz:
- A vida continua e se entregar é uma bobagem.

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim,
Quero ser feliz ao menos.
Lembra que o plano era ficarmos bem?

- Ei, olha só o que achei: cavalos-marinhos.

Sei que faço isso para esquecer,
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora.


Sem muito à declarar... As palavras não tem conseguido sair da minha cabeça ultimamente... Acho que eu tô confusa....¬¬

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Fico me perguntando o que é o essencial: A felicidade, o bem estar? A ética e a busca pelo conhecimento e amadurecimento? Ou é simplesmente viver?
Tenho me perguntado constantemente o que é o essencial. Estar ao lado de velhos amigos em meio ao um bando de selvagens ou me lançar ao desconhecido pra ver se me encontro?

Não sei porque abandonei aquela sala no início do ano. Talvez eu ainda estivesse me sentindo ¿fora de casa¿ e retornar às origens fosse uma maneira de enganar as minhas reais necessidades. Mas tudo estada diferente. Acho que algo havia se quebrado e em algum momento eu acreditei que um pouco de cola e paciência bastaria.

Quem dera que na prática, ignorância fosse realmente felicidade. Se bem que talvez realmente seja e eu tenha pulado a parte em que tenho que me tornar uma ignorante. O que acontece é que, mesmo assim, nada voltaria para o lugar. A oitava série passou faz muito e não só todos eles mudaram, mas eu - principalmente eu ¿ mudei também.

Não vou entrar em teorias sobre quem evoluiu e quem atrofiou, acho que perderia muito tempo e acabaria ofendendo alguém.

Só sei que no meio da balbúrdia incoerente daquelas pessoas, eu de repente percebi que o último lugar em que no início eu queria estar era o mesmo ao qual eu pertencia.

Se tivessem visto a ¿minha hora¿ na sala da orientadora também teriam concluído, como eu, que talvez eu precise mesmo da ¿maledita¿ da terapia. (Isso não muda muita coisa, pois precisar não é aceitar.) Talvez eu seja um pouco descontrolada, quando nervosa... Talvez eu tenha mesmo perdido o controle. Talvez seja só uma das chamadas Crises de Aborrecência. Mas apesar do pequeno momento de aparente fragilidade, eu me orgulho em dizer que aparentemente não perdi a veemência.

E nessa segunda acordei tão animada com o ¿ir pra aula¿ como não fazia há meses.
Talvez seja só a empolgação inicial, mas encontrei o remédio universal para os problemas da cabeça e do coração: Conhecer pessoas novas.
E o melhor de tudo: elas são simpáticas e aparentemente não fúteis. Talvez haja algum futuro nisso. E se não houver, valeu apenas o momento em que eu me senti um pouco feliz e reconfortada em meio à vida e toda a sua promiscua crueldade (ou realidade).

E mais uma vez eu vejo a sábia frase do Marcelo Camelo (ou seja lá quem for o compositor daquela música) se reafirmando sobre os fatos. ¿Pois é no não que se descobre de verdade o que te sobra além das coisas casuais.¿

E como o Marcelo Camelo é muito recente e o Algusto dos Anjos também era um cara legal encerro o post com um poema dele. Um dos mais famosos e um dos meus prediletos também.

Temo que ele seja um pouco nojento, mas descreve bem o que ocorre com as pessoas entre uma estação e outra da vida. Se você por acaso não concordar, desculpe a ofensa, mas talvez seus neurônios estejam em greve.

Versos Íntimos
Augusto dos Anjos


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!



Eu disse a mim mesma que resistiria mas... bem... aí vai a velha conclusão seguida da velha pergunta:

O mundo continua girando, as galáxias continuam realizando suas colisões elásticas, e um bando de gente continua respirando e se matando por aí. Enquanto isso eu me pergunto: E quem se importa?

Sei que isso vai soar como um momento ¿criança Emo¿ mas caso se importe, por favor, me diga. Eu ando precisando muito de alguém que demonstre que por mais implicante, nerd e sei lá o que que eu possa ser... eu seja importante. De alguma forma.

Eu e meu velho dualismo... Talvez esse seja o maior dos meus demônios. Espero um dia conseguir me decidir entre um estado autista de felicidade ou essa incômoda sensação de ausência que sempre me leva a escrever.
Enquanto não alcanço a minha vitória fico apenas lutando contra eles. Talvez um pouco sem forças e ânimos, mas nunca devemos desistir da vida e das coisas dela, certo?

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Casa nova... Vida nova... Ou não!
Nós de uma forma ou de outra voltamos à nossas raízes. Uma casa, ou melhor, um apartamento só de ¿meninas¿. Mas creio que essa será uma versão moderna da de outrora. Mesmo porque antes eu tinha quatro e agora eu tenho dezesseis e digamos, cresci alguns bons centímetros desde então. (Não vou dizer que engordei alguns quilos porque sei que vai aparecer algum engraçadinho e dizer: ¿engordou? Nem pareceu!¿) Tirando a idade e a altura, antes eu acordava todos os dias e ¿migrava¿ pra cama de minha mãe. Quando ela se casou de novo eu migrava pra porta do quarto e esperava ela acordar. Eu era pequena (não me digam?!) e costumava ¿acordar com as galinhas¿, como se diz. Mas nem vou dizer: Vou voltar a migrar pra cama dela todas as manhãs, mesmo porque eu não cresci complexada (não a respeito disso!) a ponto de continuar com esse ritual depois de anos e anos nas costas.
Novamente pensando nas vantagens, bem, eu sempre aproveitei as ausências do meu padrasto pra desfilar pela casa de calcinha e sutiã. Isso pode vir a se tornar uma rotina se eu lembrar de manter as cortinas das janelas bem fechadas. Caso contrário acabarei virando a diversão dos ¿pirralinhos¿ da escola que fica ao lado do prédio.
E no mais, foi-se o tempo em que eu escutava Metal no último volume. Sim! Já me informaram que não se deve incomodar os vizinhos do prédio. E pros adeptos do ¿Vá à casa da Julia e saia da rotina¿ isso não significa que não escutaremos Metal ou musiquinhas legais antes das seções de filmes com torta de sorvete. Só significa que será em volume modera. Aviso isso antes que comecem a comemorar. Rarará! (Essa risada foi super Simão! Acho que tenho lido muito Folha de São Paulo...)
Mas a vida nem será tão nova assim. A rotina continua basicamente a mesma... Os conflitos familiares são os velhos de sempre: A má alimentação; as diferenças inaceitáveis.
E os amores nem serão novos também, e só agora percebi que já são velhos. Sete meses se não me engano. Não que isso seja problema; pelo contrário, que continue este alguém a monopolizar meu coração por muito e muito tempo... (Seria utópico demais desejar que dure para sempre?) Putz! Isso ficou meloso. Mas como diz o ditado: é de mês em mês que se fazem os anos. (E de anos que se faz uma vida!)
De toda forma, se eu não adquirir uma hérnia de tanto carregar caixas até o final da mudança (o ruim de se ter muitos e muitos livros é que quando se está de mudança eles dão um trabalho...), e morrer no pós-operatório, eu terei minha Internet de volta. O que significa que postarei os textos antes de enjoar deles e apagá-los do Pc. Sim, isso significa que demorarei menos que dois meses entre um post e outro.
E sobre morrer no pós-operatório,um comentário: que fim trágico! Tão trágico como três pessoas atropeladas por um carro na Amazonas. Isso me lembra finais do Shakespeare. E isso sim me lembra o começo de tudo. Sim! O começo de sete meses atrás. ¿Menina casa comigo? Anota o meu celular e me liga quando resolver casar...¿ Como a vida é bela quando se ama alguém...


P.S: Sinto-me realizada por ter resistido à tentação de postar a minha relação curta e grossa de cerca de cem motivos para odiar Axé e tudo o que ele engloba.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Muito tempo sem escrever... muito tempo mesmo. Pra ser sincera eu talvez pudesse não ter passado tanto tempo ausente. Mas em todas as oportunidades de postar eu me encontrava diante da caixa de texto, atônita (ou atônica, ou os dois...), vazia pensando... o que postar?
Creio que foram mais ou menos três meses... Três meses nos quais tudo o que não aconteceu durante dezesseis anos de vida aconteceu, de uma só vez.
Só sei que quando dei por mim eu fui descobrir que não há como ser ¿a boa menina¿ quando se tem essa maldita idade.

Mas sobre a coisa ideal a se postar, acabei me deparando faz poucos dias com um velho livro. Nada contra livros velhos, mesmo porque a maioria dos meus prediletos o são, mas esse além de antigo estava esquecido em alguma prateleira que eu andei arrumando. Comecei a relê-lo e encontrei, então, exatamente o que eu queria postar:

¿Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo fabricando espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores?(...)E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneiro pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, - Isso não tem importância?(...) Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: ¿Minha flor está lá, em algum lugar...¿ Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!¿ (O Pequeno Príncipe ¿ Antonie de Saint-Exupéry - Capítulo VII)

Porque o ser humano precisa tanto de seus vícios? Não falo de vícios frívolos como o uso do ópio. Falo de vícios como se apegar à certas coisas, ou de seguir uma dita rotina... Talvez a vida seria mais feliz se não os tivéssemos. Se não nos acostumássemos (nos viciássemos) em certas coisas corriqueiras. Talvez, se não nos apegássemos às coisas e pessoas, não correríamos o risco de um dia acordar e perceber que tudo passou, tudo inexplicavelmente, ou tragicamente, passou!
Depois disso vem a abstinência... o nó na garganta todas as noites antes de dormir, isso quando dormimos, por sentirmos falta de alguns alguéns...

Não vou gastar muito mais linhas falando das minhas saudades... provavelmente eu gastaria muito tempo fazendo-o e todo mundo se cansaria de ler antes de chegar ao fim... quem sabe outro dia... Eu sei! A vida é curta, mas, como se diz, a espera é longa...

E para os amigos que após ouvir os meus planos e desabafos me olham com certa piedade e provavelmente pensam ¿É uma iludida!¿ ou ¿Até quando isso vai durar?!¿ eu deixo uma frase, um pequeno clichê, ou como preferir:
¿Às vezes a distância e a ausência tornam a amizade e o amor mais doces e profundos.¿



avec désir de revior
(Tava folheando um velho dicionário de fancês que achei junto com o Pequeno Principe...)