domingo, 22 de agosto de 2004

Ando meio sem ânimo para postar os velhos textos...daí, pra nao deixar o blog às moscas, vou postar mais um de meus poemas...este, pela primeira vez, tem um nome... Nem achei que ele ficou bom não, mas aí está....

O Anjo

Oh! Anjo da noite
Vampiro da solidão
Os dias nada lhe trazem
As noites são uma prisão

Oh! Anjo claro da escuridão
Celebremos mais esta noite
Antes que a aurora nos traga
O gozo da desilusão

Oh! Anjo caído
Brindemos à beira do abismo
Com o doce amargo
Néctar da vida noturna

Oh! Anjo imprudente
Não cante!
Dancemos, apenas, uma última vez
Ao som de meu triste choro
Até que o dia renasça e você se vá

Oh! Anjo mórbido
Seus olhos não mais se fecham
Os sonhos não mais virão
O frio da noite corta
O meu vazio coração

Oh! Anjo maldito
Seu pranto não pôde me salvar
Meu coração não mais dói
Meus olhos foram eclipsados
Tornei-me pequeno, franzino
E o frio agora emana de mim

Oh! Arcanjo da morte
Mensageiro do nada
Não mais lamente junto ao meu leito
Pois teu choro sangrado
Mancha esta escuridão.


Até a vista, e realmente espero que essa fase de melancolia passe logo...¬¬

domingo, 15 de agosto de 2004

Com uma mãe que não para de repetir a frase: Saia da Internet! e com um compurador mais lerdo que uma tartaruga bêbada não deu pra escrever muito hoje...
Vou postar apenas mais um poema...ou um texto, nao arrumei uma definição para ele...de minha autoria e mais uma vez sem nome definido

O sol entra pela janela e me cega
Não suporto, recolho-me às sombras
Vejo a xícara fumegante sobre o móvel da peça
Dentro dela o café negro como a escuridão que me cerca
Convida-me ao pranto.
Meu corpo por fora pálido e mórbido
Por dentro vago e ressequido,
Deseja intensamente o ardor e a ilusão.

Meus lábios beijam a xícara,
Por alguns segundos tudo se aquece,
Tudo se ilumine ao passo que a cafeína fervida me queima por dentro
Me corrói.

Sei que cada gota daquilo não renderá mais que uma nova noite sem sono
Tornou-se um vício a coisa de olhar pra dentro e mergulhar-se em escuridão.

A xícara, vazia, ressona em tom seco
Ao repousar-se de volta ao móvel da peça
O lápis toma seu espaço por entre os meus dedos
E o papel...
O papel sorri para mim
Como um anjo travesso que se diverte às minhas custas
Aquela limpidez me trás inveja

O vento sopra, e ao cantar sua música triste em meus ouvidos...
Me embarga a alma.
Lamúria.
E ela vem à tona
Brota de meus olhos
Desbotados e ofuscados,
Como água da mina.

Lava meu rosto
Deixando seu rastro
Ao alcançar o anjo claro do papel
Colore
E aquela vermelhidão
Em estranho contraste entra
Com tudo aquilo à volta

O sol mostra que ainda vivo
O canto ritmado do relógio anuncia que a rotina continua
E a mascara da falsa felicidade me espera na porta para a rua.


Bom, é isso..até a proxima... :-/

sábado, 14 de agosto de 2004

¿Ó Céus! Ó vida!¿

Começo o post de hoje com um pequeno trecho de Hamlet:

Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para o espírito: sofrer os dardos e setas de um ultrajante fado, ou tomar armas contra um mar de calamidades para pôr-lhes fim, resistindo? Morrer... dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os mil naturais conflitos que constituem a herança da carne! Que fim poderia ser mais devotamente desejado? Morrer... dormir! Dormir!... Talvez sonhar!

Dormir... Talvez sonhar... é...quem sabe o sonho ainda exista. Quem sabe a vida valha a pena e, quem sabe, um dia todos nós chegaremos a algum lugar...

Ando em uma daquelas fases da vida em que constantemente me pergunto: Qual a essência da vida?
Como posso sorrir, brincar, me divertir e ao olhar pra dentro encontrar um completo e obscuro abismo?!

Porque ser intitulada de estranha se a única coisa que viso é fazer com que a minha vida não passe e tenha sido em vão?

Sonhar alto, mas não deixar que os sonhos se tornem maior que você!

E quem sabe, quando a calada da noite me engolir, chorar... Como se só me restasse isso a fazer. E no meu pranto, triste e mórbido, encontrar consolo para as minhas tristezas e forças para agüentar um novo dia de espera. Pois isso é a vida: Uma grande espera.

quinta-feira, 12 de agosto de 2004

A greve acabou. Eu sempre fui contra ela mas jamais esperei que ela terminasse tão rapidamente. Uma semana. Uma semana apenas.

Talvez eu devesse escrever sobre algumas novidades mas é que por mais que eu tente elas não tem conseguido me agradar. Têm virado empecilhos.
Eu sempre pensei nele. Meu melhor amigo. Ele foi e de alguma forma sempre será. Eu sempre pensei em voltar pra ele também, apesar da distância, apesar de tudo. E quando ele me ligou, só pelo tom de voz eu já notei o que ele queria. (Nem eu sabia que o conhecia tanto.) Aquilo alegrou o meu dia. Mas dizem que felicidade são momentos, e o momento passou.

Ele me chamou, e eu corri até ele. Na hora eu até me alegrei de novo, mas então passou, como se fosse a chama de uma vela que o vento sopra e apaga. E na hora h, tudo isso não me agradou, eu acordei no dia seguinte e por mais que eu tentasse não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Não conseguia me comportar como qual.

Fiz errado, eu sei que fiz. Antes eu teria certeza de que era aquilo que eu sentia. Mas hoje eu sei que sem querer confundi bem querer com paixão.
O que fazer agora e não magoá-lo? Eu simplesmente não sei.
Sei apenas que estou numa daquelas fazes de me olhar no espelho e dizer: ¿Julia, como você é confusa.¿
Quero apenas estar livre... apenas isso. Quero não me prender a ninguém e apenas sentir que sou dona de mim mesma, e quem sabe brincar de ter os outros ao meu dispor.
É estranho pensar que até pouco tempo o que eu queria era me prender àquele rapaz. Não a este de agora, o outro. Mas decepções amorosas a parte eu de repente acordei com vontade de cometer todas as loucuras de que eu tiver direito.

Lembro-me da festa da Van em que no meio da nossa conversa ele me disse: ¿Desde de nova você sempre foi diferente. Sempre fez o que queria, sempre lutou por quem queria. Nunca se prendeu muito às coisas.¿ Agora eu me limito a dizer que eu descobri que não mudei nada.

Desde já me desculpe por tudo. Se eu pudesse eu, arrumaria um jeito de me prender a você. Mas creio que a nossa hora já passou. Os tempos são outros e eu preciso ganhar o mundo.

Você é o garotinho bom que quer ter uma bonita história com a mocinha. Mas a mocinha no momento só consegue olhar para os garotinhos maus. Ela quer se divertir um pouco. Ela quer sentir a vida antes de colocar a coroa na cabeça e se aprisionar num castelo pra viver, quem sabe, feliz para sempre.